Quando ele disse: “até você fez isso comigo?” Foi só aí que percebi o quão importante eu era pra ele. Em todos aqueles momentos eu ainda não tinha me dado conta. Coloquei uma das mãos sobre a minha cabeça e senti correr um sangue que elevava minha temperatura. Perguntei-me sobre o porquê do corpo aprisionando a alma de que tanto fala San Juan de la Cruz. Passei a outra mão sobre o pescoço e continuei a sentir a temperatura de um ser vivo. Eu, viva. Quase pude entender a “casa sossegada”, a “noite serena” da poesia de San Juan de la Cruz. Mas olhei pra ele e disse: “Não, não. Foi esse corpo que vive que o fez. Se minha alma não estivesse presa nele, tenho certeza de que não o faria...”.
Escrito por Lê às 19h12
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